Uma nova análise conjunta do Banco Mundial e do UNICEF revela avanços na luta contra a pobreza extrema infantil, mas confirma que o problema continua a atingir dimensões alarmantes. Segundo o documento consultado pelo POC NOTÍCIAS, em 2024, 412 milhões de crianças (19%) da população infantil global viviam com menos de 3 dólares por dia, contra 507 milhões em 2014.
Apesar da redução de quase 100 milhões em dez anos, as crianças continuam a ser o grupo mais afectado e representam mais de metade dos pobres extremos no mundo, embora constituam apenas 30% da população total.
O estudo, baseado na Plataforma de Pobreza e Desigualdade do Banco Mundial, mostra que a situação é ainda mais crítica quando se considera o limiar de 8,30 dólares por dia, indicador mais ajustado a países de rendimento médio. Segundo o documento consultado, neste patamar, 1,4 mil milhões de crianças (66%) do total mundial vivem em pobreza, uma ligeira melhoria face aos 73% registados em 2014.
As desigualdades regionais são profundas. A África Subsaariana mantém-se como epicentro da pobreza infantil extrema: mais de 52% das crianças sobrevivem com menos de 3 dólares diários, praticamente o mesmo índice de há uma década. O documento sublinha que a região concentra uma em cada três crianças pobres no mundo, apesar de ter apenas 23% da população infantil global.
Em contraste, o Sul da Ásia registou progressos notáveis, reduzindo a taxa de pobreza extrema de 25% em 2014 para pouco mais de 8% em 2024, com a Índia a liderar a transformação. O Leste Asiático e Pacífico também obteve ganhos significativos: a Indonésia reduziu a taxa de pobreza infantil de 26% para 7% entre 2015 e 2024, retirando quase 20 milhões de crianças da pobreza.
Já a América Latina e o Caribe apresentaram níveis relativamente baixos de pobreza extrema menos de (8%), mas com 41% das crianças ainda a viverem abaixo do limiar de 8,30 dólares por dia, sinal de desigualdade persistente. A Europa e a Ásia Central melhoraram de 19% para pouco mais de 10% nesse mesmo patamar.
A situação mais preocupante é no Oriente Médio e Norte de África, onde a pobreza extrema infantil quase duplicou, passando de 7% para 13% entre 2014 e 2024, com destaque para a crise humanitária no Iémen.
Apesar de avanços globais, os números mostram que a pobreza infantil extrema permanece um desafio colossal. Com 412 milhões de crianças ainda a viver em privação severa e mais de 1,4 mil milhões em pobreza mais alargada, o relatório alerta para a urgência de políticas direccionadas, maior investimento social e acção coordenada para que a infância deixe de ser o rosto mais vulnerável da pobreza no mundo.




