O Sector Empresarial Público (SEP) integrou 87 empresas em 2024, menos seis do que no ano anterior, devido à extinção de sete e à criação de apenas uma nova entidade. Do universo total, 81 estavam activas e 69 apresentaram contas analisadas, revelando um retrato de contrastes entre crescimento patrimonial e fragilidades financeiras, segundo o documento consultado pelo POC NOTÍCIAS.
O relatório mostra que o activo global do SEP atingiu Kz 39 579,2 mil milhões, um aumento de 9,1% face a 2023, enquanto o passivo cresceu 7,7%, para Kz 25 025,9 mil milhões. Os capitais próprios registaram a maior evolução, subindo 11,5% para Kz 14 553,4 mil milhões. No entanto, o resultado líquido conjunto caiu para Kz 788,4 mil milhões, uma descida de 13,1% em relação ao exercício anterior, de acordo com o mesmo documento.
As transferências do Estado também se reduziram. Segundo o mesmo documento, foram desembolsados Kz 147,3 mil milhões em capitalizações e Kz 46,3 mil milhões em subsídios à exploração, valores inferiores aos de 2023. Em contrapartida, o Estado arrecadou Kz 47,5 mil milhões em dividendos, confirmando o contributo das empresas para as receitas públicas.
No plano social, o SEP manteve a sua relevância no emprego nacional, com 55 363 trabalhadores no final de 2024, um aumento de 0,8% face a 2023.
O relatório chama, porém, a atenção para deficiências graves de governação e transparência. Das 66 empresas auditadas, resultaram 141 reservas em 40 contas, reforçando a necessidade de maior supervisão e rigor nos mecanismos de controlo interno, de acordo com o documento analisado pelo POC NOTÍCIAS.
A apreciação das contas individuais traduziu-se na aprovação sem reservas de 26 empresas, aprovação com reservas de 40 e não aprovação de 3, revelando ligeira melhoria em relação ao ano anterior, mas também maior incidência de contas rejeitadas.
O exercício de 2024 confirma avanços patrimoniais e contributos fiscais do SEP, mas expõe vulnerabilidades estruturais da eficiência operacional à governação, que continuam a condicionar o sector. Segundo o documento, sem reformas profundas, as empresas públicas terão dificuldades em consolidar-se como pilar do crescimento económico sustentável de Angola.




