A dívida interna atrasada do Estado angolano está estimada em cerca de 2,5 mil milhões de kwanzas e envolve aproximadamente 740 empresas e entidades que forneceram bens ou prestaram serviços à Administração Pública e que continuam sem receber os respectivos pagamentos.
POC NOTÍCIAS | EMANUEL DOMINGOS | geral@pocnoticias.ao | Foto: DR
A informação foi avançada por Peterson Jorge, coordenador-adjunto para a área de atrasados da Unidade de Gestão da Dívida Pública, que garantiu a existência de recursos orçamentais para a regularização faseada dos montantes em dívida. Segundo o responsável, o processo de pagamento passa agora a obedecer a uma programação plurianual, com vista a assegurar maior previsibilidade e controlo financeiro.
De acordo com os dados divulgados, o stock da dívida interna atrasada registou uma redução de cerca de 60 mil milhões de kwanzas em comparação com o ano de 2024, reflectindo os esforços do Executivo na liquidação progressiva das obrigações pendentes.
Apesar desta evolução, economistas ouvidos pelo POC Notícias alertam que o problema da dívida interna continua a representar um constrangimento relevante para a economia nacional. Para o economista Edvaldo Matos, a morosidade nos pagamentos afecta directamente a tesouraria das empresas e compromete a sua capacidade de investimento. “A dívida interna atrasada fragiliza o tecido empresarial, sobretudo as pequenas e médias empresas, e tem efeitos negativos sobre o emprego e a dinâmica económica”, afirmou.
Na mesma linha, o economista Carlos Figueiredo considera que a regularização da dívida deve ser acompanhada por reformas estruturais na gestão financeira do Estado. “Não basta pagar os atrasados. É fundamental melhorar os mecanismos de contratação pública, reforçar a transparência e evitar a acumulação recorrente de novas dívidas, sob pena de o problema se tornar cíclico”, sublinhou.
Os especialistas defendem ainda o reforço do diálogo entre o Governo e os agentes económicos, bem como a adopção de mecanismos de reestruturação e compensação que permitam soluções sustentáveis para as empresas credoras, contribuindo para a estabilidade macroeconómica e para a retoma do crescimento económico.
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