Em entrevista ao POC Notícias, Meury João, Gestora de Comunicação e Marketing da Australpharma, uma das principais distribuidoras farmacêuticas em Angola, defendeu que, no sector da saúde, a comunicação desempenha um papel fundamental para garantir o acesso à informação, fortalecer a credibilidade das empresas e contribuir para um atendimento mais eficiente e humanizado.
POC NOTÍCIAS | ANA ATALMIRA | geral@pocnoticias.ao | Foto: DR
A comunicação é um factor essencial em qualquer indústria, mas no sector farmacêutico, ela pode ter impacto directo na vida das pessoas. Como vê a importância da comunicação nesse sector?
No sector farmacêutico, a comunicação desempenha um papel crucial, especialmente para uma distribuidora como a nossa, que atende hospitais e farmácias. Mais do que marketing e promoção de produtos, a comunicação é uma ferramenta estratégica para garantir que os nossos clientes tenham acesso a informações claras e precisas sobre os medicamentos e equipamentos que distribuímos. Isso contribui para o uso adequado dos produtos, evita erros na dispensação e reforça a confiança entre a nossa empresa, os profissionais de saúde e os estabelecimentos que servimos. Ao promover um fluxo de informação eficiente, fortalecemos parcerias e ajudamos a melhorar a qualidade da assistência prestada aos pacientes.
A Australpharma actua no mercado angolano há anos. Como a empresa estrutura a sua comunicação para atender às necessidades dos clientes e parceiros?
A nossa estratégia de comunicação é baseada na transparência, proximidade e credibilidade. Trabalhamos para garantir que as farmácias, clínicas e hospitais tenham acesso a informações completas sobre os produtos que distribuímos. Além disso, investimos em campanhas educativas sobre saúde e nutrição, garantindo que as informações cheguem de forma acessível a todos.
“No sector farmacêutico, comunicar-se bem significa salvar vidas, construir confiança e fortalecer parcerias”
Quais são os maiores desafios da comunicação no sector farmacêutico em Angola?
A comunicação no sector farmacêutico em Angola enfrenta desafios como a transmissão clara e precisa de informações para hospitais e farmácias, a adaptação da linguagem técnica para uma comunicação objectiva, e a falta de canais eficazes para actualizações sobre produtos e regulamentações. Além disso, a logística e o abastecimento exigem um fluxo ágil de informações para evitar rupturas de stock. Garantir conformidade regulatória também é essencial para fortalecer a credibilidade da marca. Superar esses desafios requer estratégias eficazes para tornar a comunicação mais acessível, confiável e eficiente.
Como a Australpharma lida com a questão das fake news sobre medicamentos e tratamentos?
Trabalhamos com uma comunicação baseada em fontes seguras e informações validadas por profissionais da área. A nossa abordagem envolve campanhas educativas, esclarecimento de dúvidas e um contacto próximo com farmácias e hospitais para garantir que a informação correcta seja disseminada. O combate às fake news exige uma acção contínua, e estamos atentos a esse desafio.
A tecnologia está a transformar o sector farmacêutico. Como ela impacta a comunicação da Australpharma?
A digitalização trouxe grandes avanços, permitiu que a comunicação se tornasse mais rápida e eficiente. Hoje, utilizamos plataformas digitais para estreitar o relacionamento com os nossos clientes, partilhar conteúdos educativos e até melhorar processos internos. Além disso, a inteligência artificial e o uso de dados nos ajudam a personalizar a comunicação, tornando-a mais direccionada e eficaz.
Mencionou campanhas educativas. Pode dar um exemplo de uma campanha que teve impacto positivo?
Sim, um exemplo foi a nossa campanha voltada à nutrição infantil. Como distribuidor oficial da marca Nutribén, promovemos acções para conscientizar sobre a importância da alimentação saudável nos primeiros anos de vida. Criamos materiais informativos para farmácias, realizamos formações para profissionais da saúde e utilizamos as redes sociais para alcançar directamente os pais. O impacto foi muito positivo, pois conseguimos esclarecer dúvidas frequentes e incentivar melhores práticas alimentares.
Para finalizar, qual mensagem deixaria para empresas do sector que ainda não investem fortemente na comunicação?
A comunicação não deve ser vista apenas como um suporte ao negócio, mas como um pilar estratégico para o crescimento e consolidação da marca. No sector farmacêutico, comunicar-se bem significa salvar vidas, construir confiança e fortalecer parcerias. Empresas que investem em uma comunicação eficaz estão um passo à frente na construção de um relacionamento sólido com seus clientes e na contribuição para uma sociedade mais informada e saudável.