A economia norte-americana perdeu 23 mil postos de trabalho em Julho, contrariando as previsões de criação de cerca de 80 mil empregos. O resultado reforça os sinais de abrandamento do mercado laboral e aumenta a incerteza sobre o rumo da política monetária.
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Os dados do Departamento do Trabalho mostram ainda revisões em baixa nos meses anteriores. A criação de emprego de Junho foi revista para 20 mil postos, enquanto Maio passou para 63 mil, deixando os dois meses com menos 103 mil empregos do que inicialmente estimado.
Apesar da perda de empregos, a taxa de desemprego recuou de 4,2% para 4,1%, acompanhada por uma redução da taxa de participação para 61,4%. O movimento sugere que parte da descida do desemprego resulta da saída de pessoas do mercado de trabalho.
Os dados colocam a Reserva Federal norte-americana (Fed) perante um dilema. Por um lado, o enfraquecimento do emprego pode justificar uma política monetária menos restritiva. Por outro, a inflação permanece acima da meta de 2%, enquanto os preços da energia continuam a representar uma fonte de pressão.
As expectativas dos mercados para uma subida dos juros em Setembro diminuíram após a divulgação dos dados. O dólar recuou para mínimos de dois meses, enquanto as yields das obrigações do Tesouro norte-americano também baixaram, reflectindo a possibilidade de a Fed adoptar uma posição mais cautelosa.
A atenção dos investidores está agora centrada nos próximos dados de inflação dos EUA. Uma inflação ainda elevada poderá limitar a margem da Fed para baixar os juros, enquanto uma moderação dos preços, combinada com a fraqueza do emprego, poderá reforçar a expectativa de uma política monetária menos restritiva, com impactos sobre o dólar, os fluxos de capitais e o custo de financiamento das economias emergentes.
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