Emília Carlota Sebastião Celestino Dias será candidata única ao cargo de Secretária-Geral da Organização da Mulher Angolana (OMA), na sequência da retirada da candidatura de Graciete Dine Domboulo Chivaca Matheus Sunga, num processo marcado pela ausência de explicações públicas detalhadas por parte da direcção do MPLA.
POC NOTÍCIAS | EDUARDO FRANCISCO | geral@pocnoticias.ao | Foto:DR
A decisão foi formalizada junto do Bureau Político do MPLA e confirmada pelo porta-voz do partido, Esteves Hilário, que se limitou a afirmar tratar-se de uma opção “voluntária, legítima e em conformidade com os princípios da democracia interna”, sem, no entanto, revelar os fundamentos concretos que levaram à desistência da segunda candidata.
Apesar de garantir que não existiram factores impeditivos de natureza estatutária ou disciplinar, o Bureau Político optou por não tornar públicas as motivações políticas ou estratégicas que conduziram à retirada da candidatura, alimentando interrogações sobre o grau efectivo de competitividade e pluralismo interno no processo.
Para os analistas políticos contactados pelo POC NOTÍCIAS, o silêncio do MPLA não é inocente e insere-se numa lógica recorrente de gestão interna do poder.
Os analistas referem que “Sempre que surge uma candidatura alternativa em estruturas sensíveis do partido, como a OMA, o MPLA tende a resolver o assunto internamente, promovendo consensos forçados ou retiradas discretas, evitando debates públicos que possam expor divisões ou fragilizar a imagem de unidade”.
Defendem ainda que, a explicação genérica de que a desistência foi “voluntária” não afasta a possibilidade de pressões políticas ou negociações internas, comuns em processos partidários altamente centralizados.
Com a retirada de Graciete Dine Domboulo Chivaca Matheus Sunga, o processo eleitoral da OMA prossegue exclusivamente com a candidatura de Emília Carlota Dias, nos termos previstos nas bases gerais e no regulamento eleitoral da organização.
O 8.º Congresso Ordinário da Organização da Mulher Angolana está agendado para os dias 28 de Fevereiro e 1 de Março, sob o lema “Mulher Angolana, unidade para transformar desafios em conquistas”. Ainda assim, a falta de transparência em torno da desistência levanta dúvidas sobre até que ponto a unidade proclamada resulta de convergência política genuína ou de decisões tomadas à porta fechada.
@pocnoticias.ao




