A inclusão financeira ainda é um desafio em Angola. Apenas 0,2% da população activa tem acesso ao microcrédito, revelou hoje Joaquim Catinda, Presidente da Comissão Executiva da Kixicrédito, durante o evento do BNA sobre o sector financeiro não bancário.
POC NOTÍCIAS | ANA ATALMIRA | geral@pocnoticias.ao | https://pocnoticias.ao
O acesso ao microcrédito em Angola continua a ser um desafio significativo, apesar dos avanços registados nas últimas décadas. De acordo com dados apresentados hoje pelo Presidente da Comissão Executiva da Kixicrédito, Joaquim Catinda, apenas 0,2% da população economicamente activa tem acesso a este tipo de financiamento.
Segundo Joaquim Catinda, Angola conta actualmente com mais de 500 mil clientes e um milhão de créditos concedidos através do microcrédito, números que, embora expressivos, estão longe de satisfazer a procura. “De uma população adulta estimada entre 15 a 18 milhões, cerca de 11 a 14 milhões de pessoas desenvolvem actividades económicas que exigem algum tipo de apoio financeiro”, explicou. Contudo, 84% dos angolanos continuam excluídos de qualquer forma de crédito, segundo dados do estudo FinScope Angola 2022.
O responsável recordou que a história do microcrédito em Angola começou em 1994, com o arranque do processo, evoluindo com marcos importantes como a entrada das instituições de microfinanças em 2005, a emissão das primeiras licenças em 2007, a aprovação da Lei das Microfinanças em 2008 e a publicação do Aviso n.º 03/2012 pelo BNA. “Apesar destes avanços, a cobertura do microcrédito no país ainda é muito reduzida, o que exige estratégias mais ousadas para promover a inclusão financeira”, sublinhou Joaquim Catinda.
Para o Presidente da Comissão Executiva da KixiCrédito, ampliar o alcance do microcrédito é essencial para reduzir desigualdades, fomentar o empreendedorismo e impulsionar a economia real. “É preciso consolidar um modelo sustentável que responda às necessidades das famílias e das pequenas actividades económicas, garantindo que mais cidadãos tenham acesso a financiamento em condições justas”, acrescentou.