A audição é a principal via de acesso à linguagem – fala e comunicação. Desde cedo, aprendemos a falar através do contacto com os sons que chegam pela audição, imitando o ambiente à nossa volta. Alterações auditivas podem dificultar a percepção dos sons da fala e ruídos do dia-a-dia, comprometendo a aprendizagem e o desenvolvimento da linguagem.
POC NOTÍCIAS | TEXTO: PRISCILLA THOMPSON | geral@pocnoticias.ao
Uma boa audição favorece não apenas a comunicação, mas também a aprendizagem, a socialização e o desenvolvimento cognitivo. Estimular e acompanhar a saúde auditiva é essencial para garantir que cada pessoa tenha acesso pleno ao conhecimento e às interacções sociais.
Ao falar de saúde auditiva, estamos a falar sobre a capacidade de ouvir com qualidade e clareza. Isto envolve prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado. Quando há dificuldade em ouvir os sons de forma clara e natural, temos o que chamamos de perda auditiva, que pode apresentar diversos graus de complexidade e comprometer a comunicação, evoluindo, nos casos mais extremos, para a surdez. É possível que a perda auditiva afecte um dos ouvidos ou os dois ao mesmo tempo, nem sempre de forma simultânea. Dependendo do factor que causou a perda auditiva, pode ser reversível ou definitiva.
Dados recentes da Organização Mundial de Saúde indicam que mais de 1,5 mil milhões de pessoas em todo o mundo vivem com algum grau de perda auditiva. Deste total, cerca de 430 milhões têm perda auditiva incapacitante (moderada a severa), incluindo 34 milhões de crianças.
O tratamento para a perda da audição depende da causa e deve ser indicado por profissionais competentes na área: médico otorrinolaringologista e/ou audiologista.
Entre as abordagens terapêuticas podem estar a lavagem de ouvido, em função do excesso de cera, a aspiração, em casos de água ou objectos estranhos, o uso de antibióticos, em caso de otites, ou a utilização de aparelho auditivo.
Quando o indicado para o paciente é o uso das próteses auditivas, encontramos ainda a existência de preconceito e estigmas associados a este tratamento. Seja por vaidade e preocupação estética ou por falta de conhecimento, é fundamental consciencializar para o impacto positivo que estes dispositivos têm na melhoria da qualidade de vida, pois possibilitam que a pessoa volte a ter acesso aos sons que, devido à perda auditiva, deixaram de ser percepcionados de forma natural, sejam falas, conversas, músicas ou sons do quotidiano.
Escutar vai muito além de perceber sons. É estar incluído no convívio familiar e entre amigos, é participar em conversas e reuniões sem esforços e entender o que está a ser dito. Quando entendemos isso, o aparelho auditivo deixa de ser visto como algo que rotula ou diferencia e passa a ser compreendido como o que realmente é: símbolo de cuidado, acesso e inclusão, que devolve a pertença e a possibilidade de reintegração plena na sociedade.
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