No âmbito das comemorações do seu 45.º aniversário, a ENDIAMA acaba de inaugurar, na Casa das Artes, a exposição “Terras que Brilham”, uma mostra de acervos fotográficos históricos da antiga Companhia de Diamantes de Angola (Diamang), que convida o público a revisitar a memória visual das Lundas e da indústria diamantífera em Angola. A exposição é composta por onze painéis e 55 fotografias, reproduzidas a partir dos negativos originais.
Os visitantes foram surpreendidos pela luminosidade e nitidez das imagens, que contrariam a expectativa comum associada à fotografia antiga. Os negativos foram cuidadosamente tratados e limpos, sem recurso a artifícios técnicos, com o objectivo de restituir a imagem original tal como foi percepcionada pelos seus contemporâneos.

O espólio apresentado integra o Arquivo Fotográfico da Diamang, actualmente sediado no Museu Nogueira da Silva, da Universidade do Minho, e constitui um acervo histórico de valor excecional. Este arquivo testemunha o investimento precoce da Diamang no campo multidisciplinar da produção fotográfica, oferecendo um registo singular do passado colonial português em Angola.
Importa sublinhar que a produção fotográfica da Diamang era uma prerrogativa exclusiva dos técnicos do seu Laboratório de Fotografia e dos quadros superiores da Companhia. Nesse contexto, as imagens reflectem sobretudo a visão institucional da administração da empresa até à independência de Angola, mais do que a experiência vivida pelas populações africanas e europeias que habitaram a região da Lunda.
A exposição “Terras que Brilham” assume-se, assim, como uma entrada preliminar para a reflexão crítica sobre este vasto acervo, levantando questões relevantes em torno da sua preservação, interpretação e divulgação pública.




