O advogado Noé Eduardo denunciou publicamente um grave caso de alegada negligência médica ocorrido no Hospital Anzaconte de Menezes, envolvendo a morte de um recém-nascido e o que descreve como abandono clínico e institucional da parturiente, a senhora Wandi. Em declarações exclusivas ao POC NOTÍCIAS, o jurista confirmou que já estão em curso diligências para responsabilizar judicial e criminalmente a unidade hospitalar e a respectiva equipa médica.
POC NOTÍCIAS | EMANUEL DOMINGOS | geral@pocnoticias.ao | Foto: DR
Segundo Noé Eduardo, a intenção da defesa é avançar com uma acção contra o próprio hospital, responsabilizando a instituição de forma directa, para além de uma queixa-crime e participações formais junto da Inspecção-Geral da Saúde e do organismo que representa, a nível local, a Organização Mundial da Saúde (OMS).
“A nossa intenção não é assumir uma posição extremista, mas prestar um serviço útil à sociedade. Está na hora de olharmos para a responsabilização no sector da saúde como um verdadeiro instrumento de mudança”, afirmou o advogado.
O advogado assegura que teve contacto pessoal e directo com a situação no hospital, afastando a ideia de relatos indirectos. Segundo explicou ao POC NOTÍCIAS, deslocou-se à unidade hospitalar aquando do ocorrido, uma vez que já representava juridicamente a família.
O cenário descrito é de profunda degradação dos cuidados de saúde, pessoas a chorar, familiares em desespero e relatos repetidos de abandono, ausência de médicos e falta de condições mínimas de atendimento.

“A cada duas horas saíam pessoas a chorar. Mães que tinham perdido os seus bebés. O cenário era devastador”
De acordo com a denúncia tornada pública pelo próprio advogado, no dia 4 de Dezembro de 2025 a senhora Wandi deu entrada nas urgências do Hospital Anzaconte de Menezes com diagnóstico prévio de oligoâmnio severo, confirmado numa unidade privada no Huambo. Tratava-se, segundo o advogado, de uma gravidez de alto risco que exigia vigilância contínua e eventual cesariana de emergência.
Ainda assim, refere a denúncia, o médico de serviço terá decretado, de forma precipitada, a morte fetal, sem confirmação adequada. Minutos depois, o bebé voltou a mexer-se no ventre da mãe. Apesar dos apelos da parturiente para a realização de nova ecografia, os médicos terão recusado, avançando para a indução do parto. O bebé nasceu nado-morto.
A situação agravou-se após o parto. Segundo a denúncia, a paciente terá sido deixada sem assistência durante mais de dez horas, suja, a sangrar, sem higiene, sem cuidados pós-parto e sem dignidade. O médico coordenador terá justificado a ausência de procedimentos com a avaria da máquina de esterilização, situação que, para o advogado, demonstra a inexistência de condições mínimas de funcionamento.
Na mesma sala, refere ainda a denúncia, outras duas mulheres em trabalho de parto terão igualmente perdido os seus bebés.
“Negligência médica grave”
Noé Eduardo não tem dúvidas na qualificação do caso, sublinhando que existem declarações internas, incluindo de uma enfermeira, que apontam para a possibilidade de sobrevivência do bebé caso tivesse havido intervenção cirúrgica atempada.
“Isto tem nome: negligência médica grave. E tem consequência: responsabilização”,
O advogado reforça que toda a informação detalhada consta da denúncia formal já apresentada e garante total disponibilidade para fornecer exames, relatórios e demais documentação sempre que solicitado pelas autoridades competentes.
No encerramento das suas declarações, Noé Eduardo apelou a uma intervenção efectiva das entidades de tutela e dirigiu um pedido directo à ministra da Saúde para que visite a unidade hospitalar sem aviso prévio. “A vida tem de ter valor na prática, no dia-a-dia das instituições de saúde”, concluiu.
O POC NOTÍCIAS continuará a acompanhar o desenvolvimento do caso.
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