Luanda acolhe no próximo dia 8 de Março a Gala Solidária “Vozes que Curam”, uma iniciativa que pretende angariar fundos para o tratamento e reintegração social de mulheres afectadas por fístula obstétrica em Angola, uma condição considerada evitável, mas que continua a atingir milhares de cidadãs no país.
POC NOTÍCIAS | REDACÇÃO | geral@pocnoticias.ao | Foto: DR
Organizada pela Chazon Media Cristã, a gala terá lugar no Centro de Convenções de Talatona e surge num contexto preocupante. Estimativas apontam para pelo menos oito mil mulheres a viverem com fístula obstétrica, sobretudo em zonas com acesso limitado a cuidados de saúde materna.
Provocada maioritariamente por partos prolongados sem acompanhamento médico adequado, a fístula obstétrica causa incontinência crónica, infecções, dores físicas e profundas consequências psicológicas e sociais. Muitas mulheres acabam por enfrentar isolamento, exclusão e perda de dignidade, numa realidade marcada pelo estigma e pela desinformação.
Os fundos arrecadados através da venda de mesas reverterão a favor da Vangulula House, organização de referência nacional no tratamento, reabilitação e reintegração de mulheres afectadas por esta condição. O apoio financeiro permitirá custear cirurgias cujo valor varia entre 300 e 600 dólares, com taxa de sucesso superior a 90% quando realizadas atempadamente bem como cuidados pós-operatórios, acompanhamento psicológico e programas de reintegração comunitária.
Apesar de a solução médica ser considerada simples e eficaz, profissionais de saúde e organizações alertam para a escassez de recursos financeiros e para a ausência de dados oficiais consolidados, factores que contribuem para a invisibilidade do problema. Sem acesso à cirurgia, muitas mulheres vivem anos e, em alguns casos, décadas, com a condição, privadas de respostas estruturais.
A iniciativa conta com o apoio da UNITEL e da MPVICTOR COACHING – Prestação de Serviços, Lda, e pretende mobilizar empresas, instituições e cidadãos em torno de uma causa que os organizadores classificam como uma emergência de saúde pública e uma violação grave dos direitos humanos.
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