O Afrobarometer concluiu, em Luanda e no Huambo, duas semanas de formação intensiva em análise de dados dirigidas a jornalistas, actores da sociedade civil, estudantes, investigadores e docentes universitários, no âmbito dos seus workshops inaugurais para participantes dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP).
POC NOTÍCIAS | EMANUEL DOMINGOS | geral@pocnoticias.ao | Foto: DR
A iniciativa reuniu participantes de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique, muitos dos quais tiveram, pela primeira vez, contacto directo com as formações promovidas pelo Afrobarometer. Durante as sessões, os formandos adquiriram competências essenciais para aceder, analisar e interpretar dados dos inquéritos de opinião pública, reforçando a capacidade de transformar informação estatística em conteúdos jornalísticos, instrumentos de advocacia de políticas públicas e recursos pedagógicos.
Segundo Dominique Dryding, gestora de capacitação (para principiantes) do Afrobarometer, a formação representou um passo importante para o fortalecimento do discurso público nos países lusófonos africanos. “Os participantes saíram da formação com uma capacidade melhorada para transformar dados de estudos de opinião pública em histórias convincentes e baseadas em evidências; em instrumentos de advocacia de políticas; e em resultados de investigação que elevam as vozes dos cidadãos e fortalecem o debate público em Angola e nos PALOP”, sublinhou.
Entre os formandos, o impacto da iniciativa foi amplamente destacado. Avelino Domingos, jornalista da Rádio Essencial, em Angola, realçou a utilidade prática da formação para o exercício do jornalismo. “Estou entusiasmado por aplicar os conhecimentos que adquiri nas minhas investigações sobre a realidade do quotidiano dos angolanos. Também estou ansioso por ajudar os cidadãos a compreender o trabalho do Afrobarometer em África e, em particular, em Angola”, afirmou.
Os participantes elogiaram ainda a facilidade de utilização da ferramenta de análise de dados online (ODA), disponibilizada pelo Afrobarometer. Para Cláudia Fernandes de Brito, especialista em comunicação de Cabo Verde, a acessibilidade dos dados é um dos maiores trunfos da plataforma. “O mais excepcional nos dados do Afrobarometer é que não é preciso ser especialista para os utilizar. São de domínio público, gratuitos e facilmente acessíveis através da ferramenta de análise de dados online”, destacou.
Estes workshops inserem-se no compromisso mais amplo do Afrobarometer de promover a literacia no uso de dados e reforçar a tomada de decisões baseadas em evidências em todo o continente africano. Ao alargar o número de profissionais capacitados para utilizar, de forma responsável, dados de estudos de opinião pública, a organização pretende amplificar as vozes dos cidadãos, fortalecer a governação democrática, informar a comunicação social e consolidar o seu papel como um recurso continental de referência em investigação e desenvolvimento de capacidades.
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