Um novo estudo da KPMG CEO Outlook revela que, em Angola, 25% das empresas já alocam pelo menos 20% do seu orçamento à Inteligência Artificial (IA), embora este valor fique abaixo dos 69% registados a nível global.
O relatório destaca que a aposta na IA é impulsionada pela expectativa de retorno rápido, com 93% dos CEO angolanos a preverem que os resultados dos investimentos serão visíveis entre um e cinco anos, antecipando o “time-to-value” em relação ao ano anterior.
A confiança na capacidade de adopção tecnológica é elevada: 74% dos líderes consideram que as suas organizações conseguem acompanhar o avanço da IA. Contudo, os executivos também reconhecem riscos crescentes: 87% identificam desafios éticos, 87% apontam fragilidades na preparação de dados e 67% alertam para a falta de regulamentação, factores que podem condicionar o sucesso da expansão tecnológica.
No domínio da gestão de pessoas, o mercado angolano enfrenta tensões estruturais. 73% dos CEO afirmam que a qualificação da força de trabalho em IA será determinante para a prosperidade das empresas, mas 66% admitem que a competição por talento especializado pode limitar o crescimento. Para responder a estas pressões, 67% dos Conselhos de Administração priorizam a retenção e requalificação de talentos, enquanto 53% estão activamente a contratar perfis tecnológicos.
O movimento de transformação é visível: 80% das empresas angolanas já estão a transferir trabalhadores de funções tradicionais para funções potenciadas pela IA.
Paralelamente, a sustentabilidade mantém-se na agenda executiva. Em Angola, 54% dos CEO afirmam estar no caminho certo para atingir as metas de zero emissões líquidas até 2030, embora 33% citem a descarbonização das cadeias de valor como principal obstáculo, seguida dos 40% que destacam os custos como barreira crítica. A tecnologia desempenha um papel crescente nestas ambições: 87% dos líderes veem a IA como ferramenta para melhorar a eficiência de recursos, e 80% acreditam que ajudará a elevar a qualidade dos dados e do reporte ESG.

Para Vitor Ribeirinho, Senior Partner do Cluster KPMG Portugale Angola, “os líderes empresariais em Angola estão a fazer escolhas estratégicas num ambiente desafiante, reforçando na tecnologia, no upskilling do talento e na sustentabilidade, como motores de competitividade e de criação de valor.” E acrescenta que “as oportunidades de crescimento surgem para as organizações que investem com clareza, responsabilidade e velocidade nos sectores críticos da transformação”.




