O GreenField – Fundo de Capital de Risco (FCR), gerido pela Deltagest Capital, apresentou recentemente, em Luanda, o seu primeiro Relatório de Sustentabilidade, documento que consolida os resultados operacionais, sociais e ambientais alcançados entre o início de 2024 e meados de 2025. Os números revelam um desempenho invulgar num mercado ainda emergente como o angolano.
POC NOTÍCIAS | EMANUEL DOMINGOS | geral@pocnoticias.ao | Foto: DR
Segundo o relatório, o Fundo registou uma valorização de 43,29% nas Unidades de Participação em 2024, posicionando-se como o veículo de capital de risco com melhor desempenho em Angola. No mesmo período, os activos sob gestão dispararam 283%, passando de 325,8 milhões para 1.250 milhões de kwanzas, resultado do crescimento dos projectos em curso e da entrada de novos investidores, que aumentaram de 5 para 33, uma subida de 560%.
Os projectos do portfólio também avançaram de forma expressiva. A Ovihemba, que será a primeira fábrica de produção de medicamentos em Angola, concluiu a fase de construção inicial e iniciou o processo de recrutamento que atraiu mais de 3.000 candidaturas, integrando 25 profissionais em programas de formação. A unidade terá capacidade para produzir 33 milhões de comprimidos por ano, com potencial de expansão para 100 milhões, além de cápsulas e saquetas, reforçando a segurança farmacêutica nacional.
No sector agrícola, o projecto Campo Verde implementou um modelo inovador de apoio à agricultura familiar, envolvendo 46 agricultores e o cultivo de 25 hectares de batata-rena, além do lançamento de uma plataforma digital de registo de produtores no Huambo. Já o projecto Laços Vivos, focado no bem-estar social, encontra-se em fase de estruturação para arranque em 2025.
O relatório destaca ainda o crescimento da equipa da Ovihemba, composta actualmente por 22 colaboradores, dos quais 50% são mulheres e 95% têm menos de 30 anos, evidenciando o foco na inclusão de jovens e na igualdade de género. Em 2024, foram realizadas 1.300 horas de formação, incluindo capacitação técnica avançada com parceiros internacionais.
No pilar ambiental, o Fundo sublinha o compromisso com a transição energética, estimando que 70% do consumo anual de energia da Ovihemba será proveniente de fontes renováveis. Em paralelo, avança a implementação de um sistema de reutilização de água industrial e a preparação de um programa de gestão de resíduos farmacêuticos.
A nível institucional, o GreenField formalizou a adesão ao United Nations Global Compact, alinhando-se com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e reforçando padrões de ética, governação e responsabilidade social nas suas participadas.
Com três activos estratégicos, saúde, agricultura e bem-estar social e uma carteira em rápida expansão, o GreenField apresenta-se como um actor central na promoção do desenvolvimento sustentável em Angola. Para 2025 e 2026, o Fundo prevê novos aumentos de capital, o início da produção farmacêutica e a consolidação do seu sistema de reporte ESG, elevando a fasquia da transparência e do impacto económico e social no país.
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