A Deloitte defendeu a necessidade de reforçar o papel do sector mineiro como um dos principais motores da diversificação económica e do desenvolvimento social de Angola, destacando as oportunidades para transformar a riqueza mineral em valor sustentável para o País. Esta visão foi partilhada durante a cerimónia de celebração do 15.º aniversário do Código Mineiro Angolano, que decorreu no Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, em Luanda, no âmbito da intervenção subordinada ao tema “Preparar o Futuro Hoje: Da Riqueza Mineral à Criação de Valor”.
POC NOTÍCIAS | REDACÇÃO | geral@pocnotícias.ao | FOTO: DR
A transição energética, a digitalização e as tecnologias avançadas estão a aumentar a procura mundial por minerais críticos e a competição pelo acesso a recursos estratégicos. Contudo, novos projectos mineiros demoram, em média, cerca de 15 anos entre a descoberta e o início da operação. Até 2035, a oferta poderá cobrir apenas cerca de 61% da procura de lítio, 70% da de cobre e 86% da de cobalto.
Angola na nova geografia mundial dos minerais críticos
África poderá assumir um papel cada vez mais relevante nas cadeias globais de abastecimento de minerais críticos. O continente já ocupa uma posição de destaque na produção de recursos estratégicos, como o cobalto, o manganês e o cobre, reforçando a sua importância no contexto da transição energética e da crescente procura mundial por matérias-primas essenciais.
No caso de Angola, a apresentação identificou um conjunto de factores diferenciadores, incluindo a diversidade do potencial mineral, com mais de 30 minerais em fase de prospecção ou exploração, o conhecimento geológico acumulado, uma carteira de 492 títulos mineiros, dos quais 56% correspondem a títulos de prospecção, a localização geográfica do País, os corredores logísticos e a experiência institucional desenvolvida ao longo dos últimos anos.
“Angola dispõe de uma oportunidade relevante para transformar o seu potencial geológico num novo motor de diversificação económica. O próximo ciclo deverá ser orientado não apenas para a exploração de recursos, mas sobretudo para a criação de valor no País, através do desenvolvimento de cadeias produtivas locais, da qualificação do capital humano e da atracção de investimento responsável e de longo prazo”, afirma José Barata, Presidente da Deloitte Angola.
Seis dimensões para reforçar a competitividade do sector
A Deloitte identificou seis dimensões prioritárias a considerar na evolução do sector mineiro angolano:
- Conhecimento geológico: aprofundar a informação disponível sobre os recursos do País;
- Ambiente de negócios: reforçar a capacidade de atrair investimento nacional e internacional;
- Enquadramento regulatório e institucional: assegurar previsibilidade, eficiência e competitividade;
- Infra-estruturas de suporte: desenvolver logística, energia e infra-estruturas essenciais à actividade;
- Organização e capital humano: desenvolver competências, talento e participação nacional;
- Sustentabilidade e inovação: incorporar novas tecnologias e práticas sustentáveis ao longo da cadeia de valor.
Estas dimensões deverão ser aprofundadas no âmbito do Estudo de Competitividade do Sector Mineiro Angolano, concebido para apoiar uma análise integrada do posicionamento do País e dos factores que influenciam a atractividade, a competitividade e o desenvolvimento sustentável da indústria.
“O desafio da próxima década passa por definir onde Angola pretende competir e como poderá converter os seus recursos em benefícios económicos mais amplos e duradouros. O reforço do conhecimento geológico, das infra-estruturas, da capacidade institucional e das competências nacionais será determinante para aumentar a transformação local e integrar o País nas cadeias globais de valor dos minerais críticos”, refere Frederico Martins Correia, Partner e Líder de Mining & Metals da Deloitte.
A participação da Deloitte integrou-se, assim, num momento de reflexão sobre a evolução do sector desde a aprovação do Código Mineiro e sobre as prioridades que poderão orientar a próxima etapa de desenvolvimento da indústria mineira angolana, reforçando o seu contributo para a transformação do potencial geológico de Angola em desenvolvimento económico e social.
geral@pocnotícias




