Representantes dos Governos de Angola, Namíbia e Botswana assumiram, em Nova Iorque, o compromisso de reforçar a cooperação para a protecção e gestão sustentável da Bacia Hidrográfica do Rio Cubango-Okavango, reconhecendo-a como um sistema fluvial interligado.
POC NOTÍCIAS | garal@pocnoticias.ao | Foto: DR
O compromisso foi assumido durante um encontro que reuniu líderes, decisores políticos e intervenientes ligados à sustentabilidade, no âmbito dos cinco anos da parceria Okavango Eternal, uma iniciativa da National Geographic Society e da De Beers que entrou agora numa segunda fase de implementação.
Angola esteve representada pela Ministra do Ambiente, Ana Paula Chantre Luna de Carvalho Pereira, que participou no encontro ao lado do Presidente do Botswana, Duma Gideon Boko, da Ministra dos Minerais e Energia do Botswana, Bogolo Joy Kenewendo, e da Ministra da Agricultura, Pescas, Água e Reforma Agrária da Namíbia, Inge Zaamwani-Kamwi.

A Bacia do Cubango-Okavango tem origem nas terras altas de Angola, atravessa a Namíbia e termina no Delta do Okavango, no Botswana. Cerca de 95 por cento da água que chega ao Delta tem origem na chamada Torre de Água das Terras Altas de Angola.
As terras altas angolanas desempenham, por isso, um papel importante na regulação e armazenamento da água, através dos seus rios, zonas húmidas, turfeiras, solos e matas de miombo, contribuindo para a sustentabilidade dos ecossistemas e das comunidades em toda a região.
Em Janeiro de 2026, Angola designou Lisima Lya Mwono como a primeira Zona Húmida de Importância Internacional do país, ao abrigo da Convenção de Ramsar. A área, com mais de 53 mil quilómetros quadrados, integra uma importante bacia hidrográfica que alimenta sistemas fluviais a jusante, incluindo o Delta do Okavango e a Planície de Inundação do Zambeze.
Conservação com participação das comunidades
O trabalho de conservação desenvolvido na Bacia do Cubango-Okavango envolve investigação científica, monitorização hidrológica e valorização do conhecimento ecológico tradicional.
Em Angola, estas acções são implementadas pela Fundação Lisima, em parceria com comunidades locais, instituições governamentais e organizações científicas. O trabalho inclui iniciativas de agricultura regenerativa, apicultura, gestão sustentável dos recursos naturais e investigação dos sistemas ecológicos da região.
A cooperação entre os três países deverá permitir uma maior coordenação nas áreas da conservação, investigação, monitorização e gestão sustentável da Bacia.
A segunda fase da parceria Okavango Eternal, com duração prevista de cinco anos, continuará a apoiar o Projecto de Vida Selvagem do Okavango da National Geographic em Angola, Namíbia e Botswana, com destaque para a ciência, o conhecimento ecológico tradicional, os meios de subsistência ligados à conservação e a produção de conteúdos sobre a região.
A iniciativa pretende igualmente contribuir para o reforço da capacidade local nas áreas de nascente e para o reconhecimento do papel das terras altas de Angola na segurança hídrica e no equilíbrio ecológico de toda a Bacia do Cubango-Okavango.




