A produção de mel em Angola poderá gerar mais de 3,25 mil milhões de kwanzas por ano, caso o país atinja uma produção estimada de 250 toneladas anuais, segundo revelou o apicultor e sócio-gerente da Tcha Kuata Angola, Lda., Bruno Ditutala Ncanga, numa entrevista ao POC Notícias.
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De acordo com o responsável, este volume corresponde à comercialização de cerca de 250 mil litros de mel, tendo por base um preço médio de 13 mil kwanzas por litro, o que evidencia o potencial económico do sector.
Apesar deste cenário promissor, os níveis actuais de produção ainda se mantêm abaixo do potencial. Segundo revelou o apicultor, Angola produz actualmente entre 150 a 200 toneladas de mel por ano, sendo que apenas a província do Bié regista uma produção estimada entre 15 a 20 toneladas anuais.
A nível empresarial, a Tcha Kuata Angola comercializa entre 400 a 700 quilogramas de mel por ano, com produção concentrada no município do Chitembo, província do Bié, e em outras regiões como Moxico, Cuando Cubango, Lunda-Sul, Malanje, Cuanza-Sul e Uíge.
Custos de produção pressionam o sector
Os custos de produção continuam a ser um dos principais constrangimentos à expansão da actividade. As embalagens representam uma parte significativa do investimento.
Uma embalagem de 1 litro custa cerca de 1.000 kwanzas, sendo que o investimento mínimo ronda os 500 mil kwanzas. Já os potes de vidro, com capacidade de 310 ml, são adquiridos em caixas de 72 unidades por aproximadamente 50.400 kwanzas, sendo frequente a compra de 8 a 10 caixas, totalizando cerca de 504 mil kwanzas.
Grande parte destes materiais é importada da China, estando os preços condicionados pela subida da moeda estrangeira e pelas taxas aduaneiras, factores que contribuem para o encarecimento do mel no mercado nacional.
Investimento ainda aquém das necessidades
Nos últimos dois anos, o sector registou investimentos na ordem dos 22 milhões de kwanzas, destinados sobretudo à modernização dos equipamentos e melhoria dos processos produtivos.
Ainda assim, o acesso ao financiamento continua a ser limitado. A empresa beneficiou de um crédito do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), no valor de 25 milhões de kwanzas, em 2023, mas o apoio é considerado insuficiente face às necessidades do sector.
Segundo revelou o apicultor, a produção de mel em Angola apresenta maior intensidade nos períodos de Setembro a Dezembro e de Abril a Junho, fases consideradas mais favoráveis à actividade apícola.
Entre as regiões com maior potencial para expansão destacam-se as províncias do Uíge, Zaire e Cabinda, apontadas como estratégicas para o desenvolvimento do sector.
Para além do consumo alimentar, o aumento da produção de mel poderá impulsionar outras cadeias de valor, como a indústria farmacêutica, através do própolis, e a produção de cera para velas.
Com base nos dados apresentados, a apicultura afirma-se como uma actividade com potencial de crescimento, geração de rendimento e impacto económico relevante, embora ainda enfrente desafios estruturais ligados ao financiamento, custos de produção e organização do sector.
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