Uma disputa societária envolvendo 50% do capital social colocou sob tensão a Saber Angola – Prestação de Serviços, Lda., empresa que actua nos sectores de consultoria, educação, tecnologias de informação e logística, expondo publicamente um conflito que poderá culminar nos tribunais e reacender o debate sobre governação empresarial em Angola.
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A crise tornou-se pública após a divulgação de uma nota de repúdio subscrita por Julieta Cristina da Silva Branco Lima Mingas e Carlos Filipe de Branco Lima Rodrigues Mingas, representantes da quota correspondente a metade do capital social da empresa. Os signatários contestam formalmente a convocatória de uma Assembleia-Geral de Sócios publicada a 23 de Janeiro de 2026, acusando o sócio Paulo Augusto Malheiro Múrias de tentar assumir o controlo absoluto da sociedade.
Segundo os subscritores, a iniciativa configura “mais uma tentativa” de transformar a estrutura de gestão numa lógica de domínio unipessoal, contrariando o modelo de governação partilhada que, afirmam, vigorou desde a constituição da empresa.
Os representantes da quota herdada de Ruy Alberto Vieira Dias Rodrigues Mingas defendem que a gerência sempre foi exercida de forma equilibrada, cabendo a cada sócio o direito de exercer funções de gestão ou indicar representante. Rejeitam, por isso, qualquer deliberação que vise afastar os actuais titulares da condução dos destinos da sociedade.
Na nota tornada pública, os subscritores admitem recorrer aos meios judiciais caso considerem que estejam a ser violados os seus direitos societários ou que ocorram deliberações à margem da legalidade.
O impasse levanta preocupações quanto à estabilidade da empresa, que opera em áreas estratégicas como consultoria empresarial, formação e capacitação, soluções tecnológicas e logística, sectores considerados relevantes para o processo de diversificação económica e modernização institucional do país.
Especialistas alertam que sociedades com capital dividido em partes iguais enfrentam riscos elevados de bloqueio decisório quando não dispõem de mecanismos eficazes de resolução de conflitos. O caso poderá transformar-se num exemplo paradigmático sobre equilíbrio societário, transparência e protecção dos direitos dos sócios no contexto empresarial angolano.
O POC Notícias contactou a actual administração da empresa para obter esclarecimentos sobre as acusações. Até ao fecho desta matéria, não foi possível obter qualquer resposta das partes envolvidas.
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